domingo, 15 de julho de 2018

Notícia - Cientistas ensinaram animais a pedir açúcar usando só a força da mente

Em apenas dez dias, os ratos e ratinhos usados na experiência conduzida por neurocientistas - da Fundação Champalimaud (Portugal) e da Universidade de Berkeley (Califórnia, EUA) - aprenderam a "pedir" açúcar sem mover um músculo do corpo. Para isso, recorreram apenas a impulsos eléctricos do cérebro que tinham como feedback um determinado som.

Os resultados da experiência, publicados na revista Nature, revelam um cérebro mais flexível do que se pensava e podem ser um importante contributo para o desenvolvimento de próteses movidas com "a força da mente" para pessoas com lesões na medula, amputações ou outras limitações na mobilidade.

O trabalho em laboratório permitiu demonstrar não só que o cérebro é capaz de aprender rapidamente regras arbitrárias, mas também que a plasticidade [a capacidade de adaptação do cérebro] presente neste processo intencional é idêntica à que encontramos quando resolvemos uma tarefa física como andar de bicicleta.

Até agora, a chamada interface cérebro-máquina (IMC) procurou provocar um movimento numa prótese imitando os circuitos eléctricos que são normalmente usados no gesto que se quer reproduzir, seja ele mover um braço ou uma perna. As experiências realizadas mostraram o sucesso desta tecnologia, mas também revelaram algumas limitações.

Já está provado que é possível "imitar" os impulsos neuronais e conseguir movimento numa prótese. Para isso, a actividade do cérebro é medida através da introdução de eléctrodos (fios da espessura de um cabelo) no cérebro, usando-se um chip que pode estar ligado a um computador ou a uma prótese (um braço, por exemplo) que "decifra" a ordem que está a ser dada.

Esta imitação da actividade neuronal, contudo, tem de ser feita caso a caso (cada um de nós tem impulsos neuronais diferentes para mexer o braço) e, no processo, perde-se alguma eficácia no movimento. Quando usamos uma prótese que tenta imitar o que o cérebro normalmente faz para ordenar esse movimento, a performance de uma tarefa normal cai para 60 ou 70%.

Rui Costa, investigador principal do Programa de Neurociências da Fundação Champalimaud, e José Carmena, co-director do centro de engenharia neural e próteses da Universidade de Berkeley, admitem que o que foi conseguido até agora já é muito bom, mas acreditam ter encontrado outro caminho no cérebro para conseguir mover uma prótese com 95% de acuidade. Como? "Mudámos as regras do jogo e, em vez de tentarmos imitar o que se passa normalmente, ensinámos o cérebro a fazer algo como se fosse uma coisa nova, arbitrária".

Na verdade, a experiência (ainda) não se fez com uma pessoa e uma prótese. O que os cientistas para já demonstraram, e que descrevem no artigo publicado ontem online na Nature, foi que os ratos e ratinhos usados na experiência aprenderam rapidamente uma regra arbitrária para obter o que queriam sem se mexerem, só com "a força da mente".

"Usámos ratos e ratinhos que estavam a controlar um computador que produzia um som. Criámos uma regra arbitrária: a actividade destes neurónios significa um som agudo e a destes um som grave. Se conseguissem a actividade cerebral capaz de dar um feedback de um som agudo, tinham como recompensa uma solução com açúcar, e se conseguissem um som grave tinham comida calórica", explica Rui Costa, entusiasmado com os resultados porque "rapidamente os animais aprenderam a regra".

"Logo no primeiro dia, os ratos começaram a perceber. Em três, quatro dias, estavam bons na tarefa. E em dez dias, estavam com 100% de performance", nota Rui Costa. "O que foi mais maravilhoso foi ver que o animal começou a aprender a controlar aquele som só com a mente. E, ao fim de dez dias, não só está excelente na tarefa como deixou de se mexer e controla só com a actividade cerebral o computador", conta o cientista.

A experiência permitiu perceber que "as áreas do cérebro [o córtex motor] e o tipo de plasticidade [presente nos gânglios da base, na região do estriado] envolvidas na aprendizagem desta regra abstracta são as mesmas que usamos para a aprendizagem motora, física. Ou seja, usamos os mesmos circuitos e mecanismos no cérebro para andar de bicicleta e para aprender algo abstracto e mental, como fazer contas.

"Mas será que ratos percebem mesmo que aquela actividade cerebral produz aquele som e aquela recompensa?", era a próxima pergunta dos investigadores. Para a resposta, nova experiência. "Fizemos mais testes que queriam demonstrar o conhecimento e intencionalidade da acção. Por exemplo, demos aos animais muito açúcar (que era a recompensa do feedback com som agudo) antes de realizar a experiência, e o resultado foi que quando começaram a sessão eles só faziam o som grave (que tinha como recompensa comida calórica). Fizemos ao contrário e eles só pediam o açúcar. Mais ainda, decidimos que para terem a bebida tinham de parar a actividade cerebral que produzia estes sons. E eles paravam".

Conclusão: "Os animais tinham conhecimento de que o controlo do som agudo servia para obter sacarose e o som grave para comida. Como se estivesse num restaurante e mandasse vir a comida que lhe apetecesse só com a actividade cerebral. O que é incrível".

Há, no entanto, uma nota importante a lembrar dos resultados desta experiência: parece ser essencial dar feedback da actividade neuronal. "Quando nós cortávamos o feedback, os sons, eles não conseguiam aprender".

Transferir este conhecimento para uma possível solução de uma limitação física de uma pessoa é a grande porta que se abre agora. "Na limitação física, uma pessoa que está paralisada pode utilizar a actividade neuronal para escrever directamente no computador desde que se definam as regras: a actividade nesta área é a letra A, nesta outra área é a letra B... e a pessoa rapidamente aprende", acredita Rui Costa.

O investigador admite também ser possível usar este caminho para outro tipo de tarefas que não são motoras. Por exemplo, para fazer uma chamada telefónica.

Notícia - Serão os cogumelos benéficos para a obesidade?

Cientistas espanhóis da província de La Rioja estão a tentar provar que o consumo de cogumelos e outros fungos cultivados é benéfico para evitar a obesidade e doenças associadas como a diabetes tipo 2.

Investigadores do Centro de Pesquisa Biomédica de La Rioja (CIBIR), dirigido pela especialista em tecido adiposo Patricia Pérez Matute, e do Centro Tecnológico de Investigação do Cogumelo (CTICH), começaram a investigar "in vitro" a influência de extractos de cogumelos no comportamento das células que compõem a gordura (adipócitos).
Segundo Pérez Matute, trata-se de impregnar os adipócitos com extratos de distintas espécies de cogumelos que se cultivam em La Rioja, previamente enriquecidas com um antioxidante, o selénio.
Os adipócitos foram retirados a pessoa com excesso de peso e a outras com peso normal, que vão servir de padrão de controlo para ver os efeitos que gera o extracto do cogumelo sobre o metabolismo da glicose, que se relaciona com a obesidade e doenças associadas à resistência da insulina como a diabetes tipo 2.
Pérez Matute explicou ainda que outro dos objectivos é observar as hormonas que os adipócitos produzem e a sua influência no controlo do peso e do apetite.

Notícia - Assuntos internos






Como é que isto foi aí parar?
Chaves e alfinetes, mas também frascos e talheres. Muitos objectos de uso quotidiano ultrapassam, quase sempre por acidente, os grandes orifícios do corpo e ficam retidos no organismo. As radiografias permitem-nos ter uma ideia do resultado e do desafio colocado aos médicos.

Em 8 de Novembro de 1895, o investigador alemão Wilhelm Conrad Röntgen estava no seu laboratório a fazer experiências sobre as propriedades dos raios catódicos quando, subitamente, descobriu um tipo de radiação invisível, mas muito penetrante, capaz de atravessar o papel e até alguns metais. Röntgen chamou ao fenómeno “radiação incógnita” (raios X), já que desconhecia tanto a sua procedência como as suas propriedades físicas. Pouco depois, apresentou a sua descoberta e uma imagem hoje considerada histórica, na qual podem ver-se os ossos da mão da sua mulher e o seu anel de casamento flutuando sobre eles.

Aquela radiografia, a primeira da história, causou grande sensação, e não era caso para menos. A capacidade das radiações para atravessar objectos opacos revolucionou a medicina e inaugurou uma das suas especialidades mais destacadas, a radiologia.

Embora a aplicação dos raios X se tenha limitado, ao principio, à detecção de doenças, o seu uso expandiu-se enormemente. Hoje, são fundamentais tanto nos controlos de segurança como para analisar a composição de alguns produtos, conhecer a proporção de carne e gordura em alguns alimentos, observar o Universo, etc.

Por vezes, nos serviços de radiologia dos hospitais, apresentam-se casos assombrosos. Uma placa pode revelar desde um alfinete engolido por acidente até imprudências eróticas que acabam mal. Poucas coisas se podem esconder aos raios X. E as imagens que se obtêm com eles podem ser tão improváveis como as melhores pinturas surrealistas.

N.C.
SUPER 154 - Fevereiro 2011

Notícia - Cancro do útero: Beber café pode ajudar a reduzir riscos

Beber café pode ajudar a reduzir o risco de cancro do útero, conclui uma investigação da Universidade norte-americana de Harvard, que recomenda cautela com o açúcar e as natas que se adicionam à bebida.

Os investigadores analisaram os dados de um estudo mais amplo, que envolveu durante 26 anos 67.470 mulheres, entre as quais registaram-se 672 casos de cancro do endométrio (da membrana mucosa que reveste o útero).
A equipa da Universidade de Harvard concluiu que beber mais de quatro chávenas de café por dia durante um período prolongado de tempo diminuiu em 25 por cento o risco de desenvolvimento do cancro do útero e que beber duas ou três baixou o risco em sete por cento.
As mulheres observadas bebiam café simples ou com pouco leite e açúcar ou natas líquidas.
Confrontado com a investigação, o presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia, Ricardo Luz, apontou à agência Lusa que "a única conclusão séria" a retirar é que "o café bebido moderadamente e sem açúcar ou leite (natas) não é prejudicial para o útero e que até poderá ser benéfico na prevenção dos tumores do endométrio".
Segundo o especialista, a pesquisa norte-americana é "uma reavaliação de um estudo já realizado, com outros objectivos", e "levanta a possibilidade de que os achados se devam ao acaso e não a um verdadeiro efeito".
De acordo com a agência Efe, vários estudos epidemiológicos anteriores demonstraram que as mulheres com alto consumo de café tinham menores níveis de estrogénios e insulina, comparativamente às que bebiam pouco ou nada, pelo que os cientistas da Universidade de Harvard trabalharam na hipótese de a elevada ingestão de café poder reduzir o risco do cancro do útero.
Ora, os altos níveis de estrogénios e insulina estão associados a um maior risco de cancro do endométrio, explicou Youjin Je, principal autora do estudo da Universidade de Harvard, publicado na revista Cancer Epidemiology Biomarkers and Prevention.
"O café tem muitos compostos biologicamente activos, incluindo ácidos fenólicos e cafeína, que têm uma potente actividade antioxidante e podem afectar o metabolismo, a glucose e os níveis de hormonas sexuais, que estão relacionados com o risco de cancro do endométrio", assinalou.
A investigadora defende que o café "pode modular os níveis de estrogénios e insulina favoravelmente", pelo que baixa o risco de cancro.
"Não recomendamos que as mulheres bebam mais café para reduzir o cancro do útero. Contudo, as que consomem café devem estar seguras de que esta bebida, em geral, não é nociva e pode, inclusive, oferecer alguns benefícios para a saúde", frisou Youjin Je, alertando que adicionar muito açúcar ou natas líquidas contribui para o aumento de peso e para a resistência à insulina, podendo aumentar o risco de cancro do endométrio e de outras doenças crónicas.

Notícia - A cor do calor


Um novo nanotermómetro luminescente com promissoras aplicações na biomedicina foi criado por investigadores das universidades de Aveiro e de Saragoça. E o que é um nanotermómetro? Para que serve?

Já lhe aconteceu, com certeza. Pretende saber qual a temperatura de um determinado corpo. Vai ao armário, tira o termómetro e põe-no em contacto com a superfície do corpo. Se for um líquido, até pode mergulhar o termómetro no líquido. Agora imagine que quer medir a temperatura de uma mosca. Mais difícil, não é? Não só ela não pára quieta como não tem superfície que chegue para fazer o contacto adequado. Ou imagine que, por razões técnicas ou científicas, precisa de medir a temperatura de algo muito mais pequeno: mil vezes mais pequeno do que uma mosca, um milhão de vezes mais pequeno do que uma mosca; enfim, já que vamos por este caminho, e se quisesse saber qual a temperatura de uma célula? Precisaria, evidentemente, de um termómetro da ordem de grandeza do corpo em causa, e que pudesse posicionar com precisão, apesar da escala microscópica de toda a operação.

Imagine um pouco mais: não lhe interessa apenas conhecer a temperatura de uma célula específica, mas a de todas as células que compõem uma determinada superfície. Pense nas costas da sua mão, por exemplo: a camada exterior é composta por milhões de células. Se (por razões médicas, por exemplo) tivesse de construir um mapa da temperatura de cada uma dessas células, como fazia? Aplicava o termómetro a cada uma delas? Obviamente, o ideal seria ter um “termómetro plano”, um filme que pudesse aplicar sobre as costas da mão e que lhe indicasse, por exemplo sob a forma de cores diferentes, qual a temperatura de cada região, até ao pormenor individual, se fosse esse o objectivo.

Estas experiências imaginárias descrevem os problemas sentidos por muitos investigadores no seu dia-a-dia: como medir a temperatura de corpos microscópicos, talvez em movimento, talvez dispostos em superfícies ou volumes dos quais interessa conhecer a variação térmica, sem atentar na caracterização específica de cada um dos componentes. As áreas de aplicação de um tal mecanismo são inúmeras, e crescem de forma exponencial se o dispositivo concreto (o termómetro, digamos assim) puder funcionar de uma forma não invasiva, para não perturbar o sistema ou organismo cuja temperatura se pretende medir.

Foi precisamente um método destes que foi agora desenvolvido e apresentado por cientistas das universidades de Aveiro e Saragoça: um nanotermómetro que promete revolucionar as técnicas de medição de temperatura a escalas extremamente diminutas, e que até pode vir a ter aplicações biomédicas.

A medição da temperatura é crucial para inúmeras investigações científicas e desenvolvimentos tecnológicos, representando actualmente 75 a 80 por cento do mercado mundial de sensores. Os termómetros tradicionais não são geralmente adequados para medir a temperatura a escalas abaixo de 10 mícrons (cerca de dez vezes menos do que o diâmetro médio do cabelo humano). Esta limitação intrínseca tem encorajado o desenvolvimento de novos termómetros sem contacto e com precisão espacial da ordem dos mícrons ou, mesmo, nanómetros (um milhão de vezes menor do que o milímetro). Por outro lado, a dependência da luminescência com a temperatura é uma ferramenta não invasiva e precisa que permite medir temperatura a estas escalas. A técnica envolve geralmente iões lantanídeos trivalentes (como por exemplo o európio, Eu3+, e o térbio, Tb3+), e funciona remotamente através de um sistema de detecção óptica, mesmo em fluidos biológicos, campos electromagnéticos intensos e objectos em movimento.

Quer isto dizer que a propriedade em que se baseia o nanotermómetro é a luminescência, isto é, a emissão de luz por um ião quando é excitado por radiação (geralmente de energia mais elevada). Neste caso, o nanotermómetro usa iões Eu3+ e Tb3+ que emitem, respectivamente, nas regiões espectrais do vermelho e do verde quando excitados por radiação ultravioleta. O nanotermómetro inventado (foi patenteado em Espanha em 2009 e aguarda patente europeia) baseia-se no facto de a intensidade da emissão de luz dos iões Eu3+ e Tb3+ variar com a temperatura. Deste modo, pode medir-se a temperatura analisando as variações de intensidade da emissão de luz daqueles iões. Para registar estas variações de intensidade, não é necessário estabelecer contacto físico entre o termómetro e o objecto, visto que a luz se propaga no espaço.

Assim, a medição da intensidade da luz é efectuada à distância, através de uma fibra óptica convencional. Como os iões Eu3+ e Tb3+ podem ser dissolvidos ou dispersos em fluidos biológicos (o sangue, por exemplo), o termómetro funciona perfeitamente em líquidos. De igual modo, e ao contrário dos termómetros convencionais de contacto, que têm dificuldade em operar em objectos em movimento, os termómetros ópticos não têm essa limitação.

Por outro lado, os termómetros tradicionais, que em geral medem a temperatura por contacto entre o termómetro e o objecto, não são adequados para escalas abaixo dos 10 micrómetros (milésimos de milímetro), uma vez que são maiores do que o objecto (ou a região) que se pretende medir!

Com a necessidade tecnológica premente de miniaturização da sociedade moderna, por exemplo para diminuir o consumo energético dos dispositivos e a quantidade de materiais gastos na sua fabricação, estas escalas de tamanho são cada vez mais importantes para o aperfeiçoamento de novas tecnologias. Esta limitação intrínseca dos termómetros tradicionais tem encorajado o desenvolvimento de novos termómetros sem contacto e com precisão espacial da ordem dos micrómetros ou, mesmo, dos nanómetros.

Uma outra vantagem do novo termómetro é ele ser auto-referenciado (não necessita de uma referência externa para medir a temperatura), permitindo medições absolutas entre 10 e 350 Kelvin. Segundo o professor Luís Carlos, do Departamento de Física da Universidade de Aveiro e do Centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Compósitos (CICECO), “o nanotermómetro é formado por complexos de Eu3+ e Tb3+ incorporados em nanoagregados híbridos (100 a 400 nanómetros) formados por um núcleo magnético de óxido de ferro recoberto por uma camada de sílica orgânica”

A sílica é óxido de silício (SiO2) um material inorgânico. Sílica orgânica é sílica modificada com elementos orgânicos; neste caso, grupos amina (NH2). Esta camada de sílica orgânica cobre o núcleo de óxido de ferro das nanopartículas, separando a parte magnética da parte luminescente. Sem esta camada de sílica orgânica, a luz emitida pelos iões Eu3+ e Tb3+ seria absorvida pelos iões de ferro, impossibilitando o funcionamento do termómetro.

As nanopartículas alteram as suas propriedades de emissão (que os nossos olhos conseguem perceber como cor) de forma consistente com a temperatura, tornando possível determinar a temperatura pela “cor” do material. Pode ainda ser ajustado a gama de funcionamento actuando no rácio Eu3+/Tb3+ ou alterando a matriz de suporte.

Com tudo isto, o novo termómetro revelou uma sensibilidade máxima de 4,9% por grau, o maior valor registado até agora em nanotermómetros, entre os 153 e os 83 graus Celsius negativos, no caso dos resultados reportados no final de Agosto na revista Advanced Materials. O funcionamento pode ser estendido à gama das temperaturas fisiológicas (entre 30 e 50 °C), modificando a proporção entre o número de iões Eu3+ e Tb3+, ou utilizando um outro material híbrido orgânico-inorgânico.

Os investigadores demonstraram que a escolha adequada da matriz de suporte permite o processamento do material termométrico como um filme, para obter um mapa bidimensional de distribuição de temperatura de elevada resolução com potencial aplicação na microelectrónica, por exemplo. A resolução espacial é limitada pelo tamanho dos detectores empregues: um a dez mícrons para fibras ópticas comerciais e câmaras CCD.

A combinação do termómetro molecular luminescente com um núcleo magnético permite, além das propriedades descritas, adicionar multifuncionalidade ao dispositivo. Quando comparado com as alternativas disponíveis, o novo termómetro representa um passo em frente na termometria à escala nanométrica. As sinergias que resultam da combinação da medição/mapeamento da temperatura e do superparamagnetismo abrem caminho para novas aplicações promissoras, especialmente no campo da biomedicina.

Em particular, esta associação produzirá um instrumento ímpar para mapear, de uma forma não-invasiva, distribuições de temperatura em tecidos biológicos (tumores, por exemplo), durante a aplicação de um campo alterno às nanopartículas magnéticas (hipertermia magnética), sendo esta, sem dúvida, uma ferramenta poderosa para estudar os processos bioquímicos à microescala que ocorrem no interior da célula.

Instado sobre os ramos da biomedicina a que se aplica o novo aparelho, Luís Carlos acentuou que as aplicações que menciona “não passam, por enquanto, de ideias, embora de enorme potencial”. Por exemplo, na intervenção contra células tumorais: “O termómetro que inventámos é constituído por uma componente magnética e por uma parte emissora de luz visível, separadas por uma camada de sílica modificada. Quando sujeita a um campo magnético externo, a parte magnética das nanopartículas aquece, libertando calor, aumentando, portanto, a temperatura local em torno das nanopartículas. A ideia é aproveitar a camada de sílica modificada e funcionalizar a sua superfície com um anticorpo específico de um certo tipo de células, de molde a permitir a interacção selectiva das nanopartículas com esse tipo de células (por exemplos, células tumorais). Após a ancoragem das nanopartículas às células, a aplicação de um campo magnético externo vai aumentar localmente a temperatura até cerca de 45 °C, matando, assim, selectivamente, as células tumorais. A presença do termómetro possibilita a monitorização e o controlo do processo de aquecimento. É claro que o campo magnético externo só vai induzir um aumento de temperatura nas células que contêm as nanopartículas com um núcleo de ferro, e assim podemos controlar com precisão, com o nosso termómetro luminescente, a distribuição de temperaturas em torno das nanopartículas e, portanto, em torno das células que nos interessam.”

Um outro exemplo prende-se com o facto de o termómetro luminescente poder ser usado para mapear temperaturas com uma resolução espacial de um mícron. Como a temperatura das células tumorais é mais elevada do que a temperatura das células normais, as nanopartículas, depois de internalizadas nas células, podem registar a sua temperatura de uma forma não invasiva e, desta maneira, diagnosticar eventuais focos tumorais.

O trabalho foi desenvolvido no quadro de uma colaboração “extremamente frutífera” entre o Departamento de Física e o CICECO, da Universidade de Aveiro, e o Instituto de Ciên­cias dos Materiais da Universidade de Saragoça. O grupo de Aveiro escreveu um trabalho em 2002 reportando que a intensidade de emissão de um material híbrido orgâncio-inorgânico incorporando Eu3+ e Tb3+, e, portanto, a cor da radiação visível emitida, dependia directamente da temperatura e, assim, que este material poderia ser usada como termómetro. As ideias desenvolvidas em Aveiro foram combinadas com as valências do grupo de Saragoça na síntese de nanopartículas magnéticas funcionalizadas com sílica modificada. A sinergia entre a investigação multidisciplinar desenvolvida pelos dois grupos permitiu a invenção deste novo nanotermómetro molecular que irá agora permitir um leque de utilizações revolucionárias. Só o tempo dirá em que direcções partiu a sua utilização nos mais diversos campos.

M.M. SUPER 152 - Dezembro 2010

Notícia - Já há cura para a tensão pré-menstrual



Todos os meses, as mulheres em idade fértil recebem um aviso na forma de dores de cabeça, fadiga repentina e uma longa lista de moléstias. É a síndrome pré-menstrual, que os médicos, finalmente, já conseguem tratar com eficácia.

Desde que a mulher é mulher, o começo da sua vida fértil sempre foi assinalado não só pelo aparecimento do período como pelo mal-estar prévio que frequentemente implica, a chamada tensão pré-menstrual (TPM). Embora não haja propriamente estudos e números oficiais, estima-se que a TPM atinge aproximadamente entre 75 e 80 por cento das mulheres, e que surge habitualmente entre dez e sete dias antes do início da menstruação. Varia, também, de mulher para mulher: desde as que sentem os sintomas de forma muito ligeira até às que sofrem os efeitos com tal intensidade que estes interferem significativamente na sua vida pessoal e profissional.

Trata-se, pois, de um distúrbio recorrente do ciclo menstrual que surge antes do período e pode prosseguir até quatro dias após o seu início. A lista de sintomas é impressionante: cefaleias, tensão e maior sensibilidade mamária, retenção de líquidos, irritabilidade, ansiedade, fadiga, tendência depressiva, nervosismo, dores musculares, diminuição do interesse pelas actividades sociais e laborais... Além disso, existe uma variante mais grave, a desordem disfórica pré-menstrual (DDPM), diagnosticada quando a paciente manifesta cinco ou mais dos sintomas já referidos. As afectadas podem ter ideias suicidas, pensamentos paranóicos ou ataques de pânico.

Em Portugal, “as perturbações comportamentais disfóricas são pouco frequentes e significativas, uma realidade que não se concilia com o retrato traçado pela literatura norte-americana neste domínio”, afirmou Daniel Pereira da Silva, director do Serviço de Ginecologia do Instituto Português de Oncologia de Coimbra, em declarações ao Jornal do Centro de Saúde. Sublinhava ainda que os sintomas mais recorrentes da síndrome pré-menstrual “acompanham a menstruação e não se manifestam durante a gravidez ou após a menopausa”. Independentemente da intensidade dos efeitos, apenas uma pequena minoria das mulheres admite que interferem na sua vida, em especial na relação familiar, mas a esmagadora maioria não pede ajuda ao médico.

O motivo evocado para não ir a uma consulta médica costuma ser o mesmo: pensam que faz parte de ser mulher, ou, como explica Pereira da Silva, “às vezes, as mulheres desvalorizam os sintomas, porque consideram normal ter certas perturbações resultantes da menstruação, o que dificulta o tratamento”. A verdade é que, se ocultam este género de “moléstias”, é porque sempre foram obrigadas, historicamente, a desvalorizá-las.

Já na Antiguidade as alterações causadas pela menstruação eram motivo para marginalização. Naquele tempo, não se sabia o que causava as perturbações, mas percebia-se que algo acontecia à mulher e que esse algo provocava mudanças drásticas, retratadas de forma crua na literatura. Hipócrates (460–370 a.C.) chamou “matriz” ao seio materno: foi sobre essa base que elaborou a teoria de que o útero flutuava pelo corpo feminino e, quando chegava ao peito, alterava o estado de humor (deu o nome de “histeria” ao momento). Galeno (130–200), outro influente médico grego, descreveu uma substância tóxica presente no útero, a menotoxina, como responsável pelas alterações de humor. Numerosos estudiosos repetiram, ciclicamente, especulações deste tipo sem qualquer base científica.

Mesmo nos primórdios do século XX, continuaram a atribuir-se explicações peregrinas aos sintomas pré-menstruais. Algumas dessas crenças prolongaram-se quase até ao fim: em Espanha, por exemplo, um prestigiado ginecologista continuava a falar, em 1982, de uma substância tóxica presente nos restos da mucosa uterina que seria responsável por transtornar por completo a mulher nos dias que antecediam a menstruação e quase obrigavam a isolá-la como um leão numa jaula...

Em termos globais, a medicina sempre se interessou mais pelas doenças masculinas do que pelas do sexo oposto. Um dado é suficiente para demonstrá-lo: na Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, há 3536 artigos sobre a TPM, face a 15.355 estudos acerca da disfunção eréctil. Desde a segunda metade do século passado, a investigação está também centrada na mulher, embora a maior parte dos estudos esteja relacionada com a perspectiva psiquiátrica ou com a DDPM, devido à sua gravidade.

Seja como for, a etiologia (a causa precisa da tensão ou síndrome) continua a ser uma incógnita. Os estudos elaborados até agora relacionam a TPM com a actividade ovárica cíclica e as hormonas estradiol e progesterona, que afectam os neurotransmissores envolvidos na regulação do sono e do estado de humor: a serotonina e o ácido gama-aminobutírico. No caso da DDPM, os últimos resultados indicam que a causa para as alterações hormonais afectarem de forma mais drástica determinadas mulheres decorre de uma variante genética.

As flutuações nos níveis hormonais parecem ser a resposta, mas há quem questione esse protagonismo e atribua o aparecimento de sintomas pré-menstruais a factores de tipo social. Jane Ussher, psicóloga da Universidade de Sydney Oeste (Austrália), que estuda essa ligação há cerca de 30 anos, assevera que se fez as mulheres acreditar que “o corpo feminino é biologicamente deficiente e que precisam de medicação para serem umas super-mulheres, o que as faz sentir ainda mais culpadas”.

A TPM, a depressão pós-parto e a menopausa transformaram-se, na opinião de Ussher, numa autêntica salgalhada que atribui a infelicidade da mulher aos seus órgãos reprodutivos. Em oposição a outro tipo de soluções, a psicóloga defende que o sexo feminino “só poderá alcançar uma posição de equilíbrio e paz quando se aperceber de que não deve alimentar estes mitos e os deixar para trás”.

A opinião da investigadora australiana é corroborada por muitos colegas europeus, os quais também destacam o papel desempenhado pelos que rodeiam a mulher; sublinham ainda que um clima social favorável, que evite o isolamento ou a discriminação, é fundamental e pode mesmo revelar-se mais importante do que uma resposta farmacológica.

É preciso ter cuidado para não medicamentar em excesso a vida da mulher e para não criar doenças inexistentes. Se algo causa mal-estar e impede um desenvolvimento social normal, a medicina deve proporcionar uma solução, embora o melhor seja não penalizar nem tornar patológicas as alterações fisiológicas que se produzem no ciclo menstrual.

Daniel Pereira da Silva realça que “o uso de contraceptivos orais é referido na literatura, mas não existe consenso quanto à sua validade”, apesar de “as pílulas com drosperinona terem alguns ensaios onde demonstram uma eficácia muito interessante.” Tanto os resultados da investigação como a prática clínica deste especialista do IPO de Coimbra encorajam uma atitude optimista face a um tratamento à base da pílula. “A minha experiência também vai nesse sentido, mas recorro cada vez mais às pílulas de baixa dosagem em uso contínuo,” afirma, sem deixar de referir os benefícios da conjugação de técnicas de gestão de stress e aumento da actividade física.

Outra forma de abordar os sintomas da TPM para tentar amenizá-los é através da alimentação. De acordo com Rita Almeida, médica especialista em nutrição clínica, se a mulher controlar a ingestão de alimentos excitantes, como o chocolate, o café, os refrigerantes e o álcool, poderá sentir uma melhoria dos estados de ansiedade e irritabilidade. No caso de os sintomas também incluírem mal-estar abdominal, cólicas ou dores musculares, deverá aumentar o consumo de alimentos ricos em cálcio (lacticínios e vegetais de folha verde escura), para favorecer a descontracção muscular. Finalmente, segundo a especialista, citada pelo semanário Expresso, é também importante beber cerca de litro e meio de água, tomar duas ou três chávenas de chá verde e consumir duas ou três peças de fruta fresca por dia, para evitar o típico inchaço desta fase do ciclo menstrual.

No caso da desordem disfórica, as indicações são praticamente iguais no que diz respeito ao estilo de vida, mas podem variar relativamente aos fármacos: nestes casos, os médicos preferem recorrer aos antidepressivos que agem sobre os níveis cerebrais da serotonina. Por vezes, é também necessário que a paciente se submeta a sessões de psicoterapia.

Os especialistas insistem que o importante é estudar cada caso individualmente, a fim de descobrir o tratamento adequado. A verdade é que se trata de um problema que requer uma atenção específica por parte da comunidade médica e científica, pois afecta de forma importante uma significativa percentagem de mulheres no mundo.

Porém, não são apenas os clínicos e os cientistas que têm de esforçar-se mais: as mulheres também terão de admitir que podem ser vulneráveis e aprender a pedir ajuda.

De carácter físico e psíquico, os sintomas da TPM afectam, de forma pouco intensa, 80 por cento das mulheres, e, de modo mais grave, 30%. As queixas desaparecem geralmente com o início da menstruação, mas nem nessa altura chega o alívio. Em mais de metade dos casos, a TPM é substituída pela dismenorreia: uma dor na região abdominal inferior, semelhante a uma cólica, que se prolonga por vários dias. É provocada por contracções uterinas (induzidas pela hormona prostaglandina), geralmente acompanhadas de vómitos e diarreia.

Sintomas físicos: acne, inchaço e sensibilidade mamária, dores de cabeça, fadiga e falta de energia, dores musculares e articulares, retenção de líquidos, obstipação, aumento de peso.

Sintomas psíquicos: insónia ou hipersónia (maior necessidade de dormir), dificuldade de concentração, tensão e irritabilidade, aversão e hostilidade.



E.P./I.J. - SUPER 153 - Janeiro 2011

Notícia - Laboratório de referência demora 24 horas para doentes prioritários e o dobro para os restantes

O laboratório da gripe do Instituto de Saúde Dr. Ricardo Jorge demora 24 horas a dar o resultado das análises à gripe A nos doentes prioritários e o dobro do tempo nos restantes, segundo fonte da instituição
Fonte do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) disse à agência Lusa que este laboratório de referência está a dar prioridade às análises solicitadas pelos profissionais de saúde para os doentes considerados prioritários.

Estes doentes são os que se encontram internados, sofrem doença crónica, estão imunocomprometidos, grávidas, crianças com menos de doze meses ou profissionais de saúde em contacto directo com doentes. São igualmente prioritários os doentes suspeitos de resistência aos medicamentos antivirais.

Naqueles casos, o diagnóstico laboratorial ao vírus H1N1 demora cerca de 24 horas. Para as restantes análises - que são em número significativo, mas referem-se a doentes que não se enquadram nestas orientações técnicas -, o tempo de espera pode chegar às 48 horas.

A mesma fonte do INSA explicou que todas as análises pedidas são efectuadas.

Tendo em conta o elevado número de análises que este laboratório tem efectuado - mais de 7500 amostras analisadas desde Abril -, o instituto foi obrigado a reforçar o número de pessoas que estão a trabalhar na gripe A. O INSA coordena uma rede de oito laboratórios para o vírus H1N1.

Lusa / SOL

Notícia - «Maioria das escolas não cumpre plano de contingência»


Uma confederação de associações de pais alertou hoje que a maioria das escolas não está a cumprir o plano de contingência da Gripe A: falta pessoal para as limpezas exigidas, bem como sabão e papeleiras nas casas de banho
Segundo o vice-presidente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), Joaquim Ribeiro, nas casas-de-banho de muitas escolas faltam papeleiras para limpar as mãos, o detergente ou sabão «é raro existir» e «poucos são os sítios» onde estão os desinfectantes recomendados. Existem ainda estabelecimentos de ensino onde «os alunos têm de levar a sua própria garrafa de água».

A razão para esta situação é simples: «As escolas não têm meios para aplicar os planos de contingência, porque a verba atribuída inicialmente não era suficiente, nem para o primeiro período», explicou Joaquim Ribeiro em declarações à Lusa.

Contactada pela Lusa, fonte do Ministério da Educação lembrou que «existe um orçamento para esta matéria e que cabe às escolas solicitarem-no dependendo das suas necessidades».

Apesar destes alertas, a outra associação representativa dos encarregados de educação - a Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) - acredita que as escolas estão a cumprir os planos e garante que todas as queixas feitas pelos pais foram corrigidas atempadamente.

«Admito que possa existir uma escola que de manhã não tem o líquido desinfectante, mas assim que se apercebem da falta, ele é adquirido», sublinhou Albino Almeida.

No entanto, o presidente da Confap lembra que os encarregados de educação têm de estar atentos para actuar em caso de necessidade: «Se não há dispensadores nas escolas, então os pais têm de fazer queixa para que as entidades responsáveis tomem as medidas necessárias».

Outra das questões que preocupa a CNIPE é o número insuficiente de funcionários para cumprir as novas tarefas que surgiram com a aplicação dos planos de contingência. Desde o início do ano lectivo, é preciso, por exemplo, limpar com mais frequência as secretárias dos alunos, os corrimões, maçanetas e as casas-de-banho. Também é fundamental controlar os dispensadores e papeleiras, para que não falte material.

Carlos Guimarães, presidente do Sindicato Técnicos Administrativos e Auxiliares de Educação da Zona Norte, lembra que «os auxiliares de acção educativa nunca foram suficientes».

Neste momento «há escolas primárias com falta de pessoal para fazer limpezas», reconheceu o sindicalista.

«Há um bocadinho de tudo: há escolas que são problemáticas e outras em que tudo funciona bem. Umas estão a cumprir os planos de contingência, outras vão cumprindo e existe ainda outras que não cumprem de todo. É conforme a dinâmica do director e do entendimento entre as escolas e autarquias», concluiu Carlos Guimarães.

O presidente da Confap lembrou que «foi dada autorização às escolas para poderem contratar mais pessoal» e que se decidiu que «teria de haver um auxiliar de acção educativa para cada 48 crianças».

Lusa / SOL

Notícia - Quatro reacções adversas à vacina contra Gripe A notificadas em Portugal


Portugal registou, até ao momento, quatro notificações de reacções adversas à vacina contra a gripe A, que começou a ser administrada no dia 26 de Outubro, revelou à Lusa fonte do instituto que regula o sector.
Fonte da autoridade nacional que regula o medicamento (Infarmed), esclareceu que o Sistema Nacional de Farmacovigilância recebeu quatro notificações de reacções adversas à vacina Pandemrix.

«As reacções relatadas incluíram dor e edema no local da injecção, bem como febre ligeira e indisposição», acrescentou o Infarmed.

A mesma fonte disse que estas reacções estão «descritas no respectivo Resumo das Características do Medicamento (RCM)» e que as mesmas evoluíram para «a cura total dos sintomas».

Lusa / SOL

Notícia - Homem com coração no lado direito surpreende médicos

Um indiano de Bombaim surpreendeu os médicos quando estava a preparar-se para uma cirurgia: descobriu-se que tinha órgãos invertidos, incluindo o coração no lado direito.

Ashok Shivnani, de 64 anos, pode ser caso único no Mundo, até porque apresenta também a artéria aorta e a veia cava inferior em lados oposto, bem como um fígado de pequenas dimensões. Além disso, segundo a 'BBC Brasil', o paciente não possui intestino delgado e tem o intestino grosso mais curto do que o normal.

A descoberta surgiu quando Shivnani se preparava para ser analisado devido a um tumor de sete centímetros que apresenta no rim. O médico responsável, Anoop Ramani, disse que quando viu os raio-x pela primeira vez pensava que os estava a observar ao contrário.

Ashok Shivnani já tinha sido operado duas vezes a uma hérnia e examinado a problemas nos pulmões, mas até agora ainda não sabia da sua deficiência rara.